O fracasso é uma das formas mais assombrosas que a mente encontra para atormentar aqueles que tentam perceber a sua vida em sua totalidade, revisando suas ações e aprendizados. A falha, seja por impotência ou simplesmente por irresponsabilidade, torna-se uma verdadeira cicatriz no corpo da memória, sempre marcando um momento de perda, da fraqueza sempre acompanhada pela dor. Para a mente de uma pessoa ansiosa, errar é como encontra-se humilhado, esperando que apontem-lhe o dedo ao seu corpo nu e mostrem todos os seus defeitos. As ações para tal pessoa tornam-se insensataz, inseguras, desesperadas. Seu maior desejo é poder segurar-se em algo que lhe passe segurança e torne desnecessário tormento da escolha e da ação. Navegar... eis o que o ansioso realmente quer. Ao ser atingido pelas crises de tontura, ao ver-se sentado, tremendo e sozinho, o ansioso simplesmente pode desejar que o resgatem, pois a vergonha já tomou o controle de seu corpo e a corrupção destroe-lhe a mente frágil e desprotegida - figura patética.
O fortalecimento da mente para fugir de tal situação, de desespero, aflição e ansiedade constante, sempre ressaltando a carência imediatamente derivada de tais sensações, transforma o ansioso de um verdadeiro rejeitado a um completo hermitão - o silêncio e a solidão transformam-se em suas virtudes mais significantes e seu apóio existêncial. A mizantropia serve como um consolo, pois acredita, tal figura, que a solidão é escolhida, não sendo assim o fato de estar sozinho tão doloroso - pior seria querer estar acompanhado e não encontrar a sombra de quem pode, com uma palavra ou conversa, salvar-lhe a sanidade. As leituras e as experiências limitadas tornam o agora hermitão em alguém que se julga sábio mas na verdade é apenas um inexperiente em sua própria existência - a experiência vêm da convivênvia que esse mesmo acabou esquecendo. Ao perceber isso, um hermitão pode querer recussitar seus sentimentos mais ternos e sair da caverna... e sair da caverna...
Eis o momento da metamorfose. O ser torna-se o caos. O caos que duela entre a mentalidade que deseja o sentimento e o espírito que procura o alento na solidão. Tal ser é indifinível, pois tornou-se tão complexo e confuso que suas próprias palavras poder-se-iam culpa-lo por uma idiotice que realmente não existe - ele pode apenas não entender o que se passa nele. E isso acaba fazendo dele um verdadeiro idiota. Enquanto as perplexidades de seus questionamentos destroem-se em seus pensamentos, o mundo jamais notaria, nos olhos perdidos e nas palavras confusas, a necessidade de um tempo, de uma pausa. As paredes giram, os dias passam, as respostas, provou-se, são inexistentes. Ele desaba. O seu cansaço mental e espiritual torna-se a única coisa a poder dar-lhe o verdadeiro alívio - finalmente nota que precisa descansar. O descanso precede o sonho. O sonho precede a volta à consciência. A consciência, então, tenta acalentar as mãos... novamente trêmulas.
"[Love] Close your eyes, listen to your heart beat
Surrender to its soothing pulse
Silence the cries, gentle and carefree
Good or bad, true or false...
You're not alone
You'll find me here whenever they oppose you
I am the strongest of them all
No need to fear these feelings that enclose you
I'm here to catch you when you fall
You're not alone
I am here dancing to your tune"
Day Two: Isolation - Ayreon
domingo, 31 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
In Vino Veritas
Certas experiências são necessárias para desbloquear algo ainda escondido, uma certa comprovação tão íntima que em sua exteriorização é bloqueada pelo medo e pelas negações individuais. Em certos momentos, dependendo do estado mental ou simplesmente de estados condicionados, essas idéias ou pensamentos escondidos podem ser revelados pela vontade, muitas vezes uma necessidade, de extração daquilo que se sente em palavras, ou ações. Um desses estados é uma leve embriaguez, não extrema, mas apenas o necessário para se sentir livre em despejar as idéias que se passam tão pudicamente em nossas cabeças transtornadas. Não faço um incentivo ao álcool, apenas apresento a possibilidade de encontrar em uma espécie de condicionamento (utilizado em doses pequenas e escassas) que permite uma relação de confiança consigo próprio, sem temer os olhares, os segredos ou até mesmo as dores que se escondem por anos na forma de cicatrizes.
A libertação desses pensamentos traz uma purificação necessária ao ser, pois a poluição gerada pela mente pode elouquecer facilmente quem não consegue entender ou aceitar as idéias, temores, vergonhas, necessidades e desejos. A relação humana sempre será um grande segredo: confiamos em pessoas que, mesmo conhecendo a anos, são completos estranhos, pois nunca sentiremos suas solidões, seus desejos, suas vontades e nunca passamos por suas experiências. A confiança em si mesmo e nos outros é uma das comprovações de que queremos acreditar - precisamos acreditar.
Eu acredito por que a essência é algo invisível que não pode ser comprovada ou apontada, é algo que se percebe, sem explicações ou certezas. Como ouvi a pouco tempo: "A essência é como um diamante rodeado por rochas", é necessário que essas rochas quebrem-se para que possamos ter uma visão, mesmo que mínima, da superfície das outras pessoas. Essa essência se esconde, ela não é algo facilmente revelado, torna-se quase um verdadeiro prêmio conseguir observar os aspectos primordiais da existência de uma outra pessoa. E se não acreditamos mais em encantamentos, creio que estamos fadados a uma vida completamente insignificante. O encantamento humano encontra-se na esperança, na fé, na segurança necessária, no amor, na amizade, na confiança, principalmente.
As palavras, quando simplesmente despejadas em um papel (ou digitadas levianamente em um estado de leve entorpecência alcóolica, como agora está sendo feita), podem nos ensinar muito, podem trazer significados novos, podem encantar um desconhecido, pode fazer criar uma verdadeira confiança que nunca será entendida. A mente está aprisionada, livrar-se das algemas imaginárias pode trazer um novo significado para a paalavra equilíbrio.
A libertação desses pensamentos traz uma purificação necessária ao ser, pois a poluição gerada pela mente pode elouquecer facilmente quem não consegue entender ou aceitar as idéias, temores, vergonhas, necessidades e desejos. A relação humana sempre será um grande segredo: confiamos em pessoas que, mesmo conhecendo a anos, são completos estranhos, pois nunca sentiremos suas solidões, seus desejos, suas vontades e nunca passamos por suas experiências. A confiança em si mesmo e nos outros é uma das comprovações de que queremos acreditar - precisamos acreditar.
Eu acredito por que a essência é algo invisível que não pode ser comprovada ou apontada, é algo que se percebe, sem explicações ou certezas. Como ouvi a pouco tempo: "A essência é como um diamante rodeado por rochas", é necessário que essas rochas quebrem-se para que possamos ter uma visão, mesmo que mínima, da superfície das outras pessoas. Essa essência se esconde, ela não é algo facilmente revelado, torna-se quase um verdadeiro prêmio conseguir observar os aspectos primordiais da existência de uma outra pessoa. E se não acreditamos mais em encantamentos, creio que estamos fadados a uma vida completamente insignificante. O encantamento humano encontra-se na esperança, na fé, na segurança necessária, no amor, na amizade, na confiança, principalmente.
As palavras, quando simplesmente despejadas em um papel (ou digitadas levianamente em um estado de leve entorpecência alcóolica, como agora está sendo feita), podem nos ensinar muito, podem trazer significados novos, podem encantar um desconhecido, pode fazer criar uma verdadeira confiança que nunca será entendida. A mente está aprisionada, livrar-se das algemas imaginárias pode trazer um novo significado para a paalavra equilíbrio.
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terça-feira, 26 de maio de 2009
Pressure -
Já estava escuro quando a idéia começou a surgir com maior intensidade "vá caminhar, é capaz de enlouquecer se não esquecer por um momento isso". Os dedos já estavão trêmulos como no passado consigo lembrar - algo adormecido estava querendo se manifestar e não havia socorro externo. Os olhos buscavam um alvo, já sentiam os efeitos do peso irracional, invisível sobre o labirinto daquela cabeça enquanto os primeiros passos foram dados às cegas. Não se tornara simplesmente uma pequena dúvida, uma questão de definições ou mensurações, pois a realidade já entrava em conflito com as idéias e os propósitos. A busca se tornou a própria doença guiada pela impaciência, estava ficando claro.
As ruas passaram e os transtornos colidiam entre si. Quanto tempo deverá ter passado pelas gotas de suor que persistiam em cair? Não era relevante, o tempo era apenas mais um adicional à agonia das perguntas. "Mas jogar essa responsabilidade para outros é egoísta, seria uma mera repetição de tudo que estou querendo negar", a calma interior começou a aparecer. O sorriso que limpa as conexões poluídas e turbulentas da mente começou a aparecer, como um alento inesperado e glorioso. Estado, egoísmo, cultura, definições, caminhos, ausência de sonhos e desejos, depressão, individualidade, submissão, insuficiência de comunicação, relações partidas e cântaros de amizades despedaças pela mizantropia inexplicável, necessidade de aceitação própria e exterior... as questões estavam sumindo, a ansiedade já perdia espaço - era hora de respirar.
Os ares (a guerra mental pode ser atribuída ao deus da guerra, sim, por questões de interpretação) dos pensamentos podem ser a razão principal da mizantropia e da solidão não escolhida. A solidão existe, ela separa os indivíduos e suas definições pessoais, mas não impõe condições de afastamento social como já é bem evidente. Como controlar os pensamentos se estes devem vir de um esforço pessoal, esforço este que não encontra mais estímulo? Um estímulo deve ser criado. Criar-se estímulo depende de idéias, e iniciar idéias através de expoentes intelectuais parecidos comigo mesmo é perigoso - geralmente eles são sombrios e igualmente confusos. Tal estímulo deve vir de algo mais simples, algo singelo e inocente, tal como a amizade. Mas tal condição de amizade está abalada pela falta de comunicação pessoal que é justamente o que se pretente mudar! E então um grande círculo transtorna a mente outra vez, criando um rumo diferente, inicialmente solitário, rumando para um futuro prolongamento exterior através de outras pessoas.
Como iniciar? Essa pressão demonstrou a força desses pensamentos sobre meu próprio ser, não é apenas uma simples questão de comodidade, é quase uma necessidade urgente. As lágrimas não caiem da fonte aparentemente esgotada, um reabastecimento faz-se necessário... o sentimentalismo não foi abandonado, o amor não foi esquecido, as necessidades não foram renunciadas. Então, as sábias palavras lidas nas madrugadas de insônia conservam novamente a esperança. A mente serve como o solo que germina o que cultivamos em nosso íntimo, tornando os pensamentos e experiências os verdadeiros frutos envenenados se não houver a correta escolha do que decidimos reproduzir. Estagnar o crescimento aparentemente inevitável, mas comprovadamente passageiro, das dores e angústias é a primeira tarefa para quem pretende criar concepções e ideais saudáveis, ou até mesmo recuperá-las. Novamente o ser inicia seu dia com as obrigações modernas e os objetivos pessoais.
Esta mesma existência que estuda, escuta, observa e gesticula é a mesma que possui dentro de si um caos incontrolável e auto-destrutivo, que precisa ser contornado. A tristeza das músicas que procuram um ouvinte atento e paciente às espectativas sentimentais, as palavras que não têm em si um significado, mas que procuram um leitor para descifrá-las e escolher sua melhor interpretação, os acontecimentos culturais que, inadvertidamente, impõem sua existência aos olhos dos vivos - tal o mundo em que a mente e alma devem habitar e observar, subjulgados pelo corpo que as limita e as apresenta em sua forma materializada, esperando que as respostas de uma pergunta incerta tornem-se mais familiares - a busca é pelo que já sabemos e não notamos, devido à ignorância inocente, ou esquecemos, por ligações demasiadamente superficiais com a experiência / consciência universal.
"Wishing I was stronger - wishing I was whole
Wishing I was someone that I'm not...
And I wish that I could linger to the faith I used to have
Wishing of myself to be a god
I'm wishing to be a god!"
Pain of Salvation
As ruas passaram e os transtornos colidiam entre si. Quanto tempo deverá ter passado pelas gotas de suor que persistiam em cair? Não era relevante, o tempo era apenas mais um adicional à agonia das perguntas. "Mas jogar essa responsabilidade para outros é egoísta, seria uma mera repetição de tudo que estou querendo negar", a calma interior começou a aparecer. O sorriso que limpa as conexões poluídas e turbulentas da mente começou a aparecer, como um alento inesperado e glorioso. Estado, egoísmo, cultura, definições, caminhos, ausência de sonhos e desejos, depressão, individualidade, submissão, insuficiência de comunicação, relações partidas e cântaros de amizades despedaças pela mizantropia inexplicável, necessidade de aceitação própria e exterior... as questões estavam sumindo, a ansiedade já perdia espaço - era hora de respirar.
Os ares (a guerra mental pode ser atribuída ao deus da guerra, sim, por questões de interpretação) dos pensamentos podem ser a razão principal da mizantropia e da solidão não escolhida. A solidão existe, ela separa os indivíduos e suas definições pessoais, mas não impõe condições de afastamento social como já é bem evidente. Como controlar os pensamentos se estes devem vir de um esforço pessoal, esforço este que não encontra mais estímulo? Um estímulo deve ser criado. Criar-se estímulo depende de idéias, e iniciar idéias através de expoentes intelectuais parecidos comigo mesmo é perigoso - geralmente eles são sombrios e igualmente confusos. Tal estímulo deve vir de algo mais simples, algo singelo e inocente, tal como a amizade. Mas tal condição de amizade está abalada pela falta de comunicação pessoal que é justamente o que se pretente mudar! E então um grande círculo transtorna a mente outra vez, criando um rumo diferente, inicialmente solitário, rumando para um futuro prolongamento exterior através de outras pessoas.
Como iniciar? Essa pressão demonstrou a força desses pensamentos sobre meu próprio ser, não é apenas uma simples questão de comodidade, é quase uma necessidade urgente. As lágrimas não caiem da fonte aparentemente esgotada, um reabastecimento faz-se necessário... o sentimentalismo não foi abandonado, o amor não foi esquecido, as necessidades não foram renunciadas. Então, as sábias palavras lidas nas madrugadas de insônia conservam novamente a esperança. A mente serve como o solo que germina o que cultivamos em nosso íntimo, tornando os pensamentos e experiências os verdadeiros frutos envenenados se não houver a correta escolha do que decidimos reproduzir. Estagnar o crescimento aparentemente inevitável, mas comprovadamente passageiro, das dores e angústias é a primeira tarefa para quem pretende criar concepções e ideais saudáveis, ou até mesmo recuperá-las. Novamente o ser inicia seu dia com as obrigações modernas e os objetivos pessoais.
Esta mesma existência que estuda, escuta, observa e gesticula é a mesma que possui dentro de si um caos incontrolável e auto-destrutivo, que precisa ser contornado. A tristeza das músicas que procuram um ouvinte atento e paciente às espectativas sentimentais, as palavras que não têm em si um significado, mas que procuram um leitor para descifrá-las e escolher sua melhor interpretação, os acontecimentos culturais que, inadvertidamente, impõem sua existência aos olhos dos vivos - tal o mundo em que a mente e alma devem habitar e observar, subjulgados pelo corpo que as limita e as apresenta em sua forma materializada, esperando que as respostas de uma pergunta incerta tornem-se mais familiares - a busca é pelo que já sabemos e não notamos, devido à ignorância inocente, ou esquecemos, por ligações demasiadamente superficiais com a experiência / consciência universal.
"Wishing I was stronger - wishing I was whole
Wishing I was someone that I'm not...
And I wish that I could linger to the faith I used to have
Wishing of myself to be a god
I'm wishing to be a god!"
Pain of Salvation
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
O vazio inicial.
Sei que isso está sendo escrito inicialmente apenas para mim. Em meio a conflitos e incertezas, procuramos em todos os lados algo que nos possa parecer semelhante ao que queremos ouvir. O grande problema é quando não se sabe o que se quer ouvir, quando a busca é justamente ao que ouvir, ao que encontrar e descobrir. Na música temos a melodia, arranjos e letras que nos fazem sentir e pensar. Em uma dessas me reparei com uma pergunta - do que estou atrás? Todos se recolhem em seus desejos e almejos, a vida é única a cada um, apenas a afeição nos liga em meio a uma sociedade cada vez mais individualista. Nossa mente, no entanto, é a grande solidão, pois nunca será plenamente entendida pelos outros - nossa mente é a grande questão.
A experiência individualizada é uma possibilidade, mas também um grande perigo. Ao ler as palavras de uma outra pessoa, podemos encontrar as respostas às nossas próprias perguntas, encontrar no todo um pedaço de si mesmo. Essa é a harmonia, é a co-relação de pensamentos e existências que nos torna mais do simplesmente indivíduos separados por idéias e concepções diferentes - há sempre em alguém algo que nos é semelhante. Essa semelhança pode ser um passo em direção às respostas... ou às perguntas.
A experiência individualizada é uma possibilidade, mas também um grande perigo. Ao ler as palavras de uma outra pessoa, podemos encontrar as respostas às nossas próprias perguntas, encontrar no todo um pedaço de si mesmo. Essa é a harmonia, é a co-relação de pensamentos e existências que nos torna mais do simplesmente indivíduos separados por idéias e concepções diferentes - há sempre em alguém algo que nos é semelhante. Essa semelhança pode ser um passo em direção às respostas... ou às perguntas.
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